Essas mulheres...

Eliana Tranchesi foi condenada a 94 anos e 06 meses de prisão. É muito tempo...Aí, a primeira reação de algumas pessoas é dizer "ah, coitada". Minha mãe disse isso, uma amiga disse isso, uma aluna disse isso. Mas, no Brasil, a pena máxima é de 30 anos. Aí vêm os benefícios da lei, mais a "competência" de um super advogado e Eliana estará livre talvez já na semana que vem. Dura lex sed lex...

E a Xuxa diz que tem orgasmos múltiplos, que dorme sem calcinha e vê duendes. E o que é pior: isso ficou exposto no Uol, como se fosse a informação mais importante do mundo. Será que a Xuxa vê duendes quando tem orgasmos múltiplos? Sempre me disseram que sexo depois de queimar um fuminho é bom. Será isso? A Xuxa vê duendes, I can see dead people...Uahhhhhhh

Cala a boca, Magda!

Ontem foi 08 de março. Dia muito especial, porque nesse dia se comemora o aniversário de 03 pessoas que eu adoro: o Rogério, meu irmão, que completou 37 anos; o Roberto, meu amigo, que completou 57 anos; e a Hebe, minha ídola, que completou 80 anos (tá bom, eu sei que não há flexão de gênero em ídolo).

E ontem também foi o dia da mulher. Mas se faz tanto alarde nesse dia que acho que já tem passado despercebido, porque o que percebemos é sempre mais do mesmo: muito discurso e pouco ação. Mas, nesses discursos, sempre sai alguma pérola: segundo o Vaticano, a máquina de lavar foi mais importante para a história das mulheres do que a pílula anticoncepcional. Como pode uma instituição como essa - falida e imoral, é bem verdade - falar tanta asneira. É tão ofensivo, tão mantenedor do status quo da condição subalterna feminina, que deveria ser proibido divulgar tamanha besteira. Talvez as mulheres devessem levar baldes de água com sabão para que o pastor alemão (que me perdoe o Bóris*, pela ofensa) e seus seguidores lavassem sua boca. Eu quero é ser excomungado!!!

Hoje, fui paraninfo de meus alunos de Jornalismo da Unisa. Fiquei bastante envaidecido pela escolha, principalmente por serem duas turmas muito bacanas, de alunos muito bons. A maioria deles já está no mercado de trabalho e isso é muito gratificante.

*Bóris é meu cachorro, pastor alemão.

 

Não, não vou por aí...

Depois de tanto tempo sem blogar, resolvi voltar. Vou tentar não me afastar novamente...

Acho o "Cântico Negro", de José Régio, um dos mais belos poemas que já li. Interpretado por Bethânia, é um dos mais belos que já ouvi. É ácido e visceral. É contudente e indigesto. É forte, muito forte. Já o citei anteriormente e hoje ele veio com força total, especialmente pela indignação que me causa a Igreja católica e os seus representantes nesta Terra de meu Deus.

Como pode ser excomungada uma mãe e uma equipe médica que faz um aborto em uma menina de nove anos estuprada pelo padastro? Como pode o aborto ser mais grave que o estupro? Como pode a Igreja que queimou tanta gente em praça pública, que se omitiu diante da escravidão e do holocausto, que escondeu e esconde os padres pedófilos, que guarda tanta riqueza no Vaticano posicionar-se desta forma em pleno século XXI? Que leis são essas que constrangem aqueles que optam pelo catolicismo, que fazem tanto bem ao seu semelhante e, de repente, são execrados? Não dá para entender. 

Graças a Deus, não sou católico, nem apostólico, nem romano, nem evangélico. Creio em Deus apenas e não sigo o que dizem aqueles que se dizem representantes de Deus.

Bem fez o Lula hoje em seu discurso: publicamente, contestou a Igreja, que insiste em se intrometer nas questões do Estado, graças a Deus, Laico.

E o José Régio? "Deus e o diabo é que me guiam, mais ninguém"

Feliz 2008

Adeus, Ano Velho, Feliz Ano novo, que tudo se realize no ano que vai nascer, muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender. Para os solteiros, sorte no amor, nenhuma esperança perdida; para os casados, nenhuma briga; paz e sossego na vida.

Durante muitos anos ouvi e cantei essa música na virada do ano, naquele tempo em que toda a família se reunia. Era criança ou adolescente. Faz tempo...muito tempo...Hoje anda tudo tão diferente, os dias parecem só dias; os anos, só anos. Um dia escrevi "há dias em que adias tudo". Pensava num mote para um poema, mas adiei, ou odiei, e ficou apenas um mote inesquecível. O fato é que tenho adiado tanta coisa e às vezes odiado outras tantas e nesse adiar/odiar os dias e os anos se vão passando. Enfim, mais um ano chega, "o tempo ruge e a Sapucaí é grande". Não fiz planos para 2008, não mentalizei, apenas saí de 2007 com saldo positivo - inclusive bancário - e espero apenas que este ano seja pelo menos igual ao ano que findou. Só não quero mais adiar.

Feliz Ano Novo! 

 

I´m coming

I am coming, I am coming, I am coming through, coming across the divide to you in this moment of ecstasy to be here, to be now, at least i'm free!!!

Só hoje me dei conta de quanto tempo não "blogo". passou um ano exato. É que ando meio sem vontade, meio com preguiça, meio sem lá o quê. O fato é que tudo anda pela metade. Nada é pleno, nada é todo. Nada! Mas, mesmo assim, resolvi voltar. Vamos ver onde vai dar. Para essa reinauguração do Edsões Ordinárias, um poema que reflete um pouco de como estou:

Cântico Negro - José Régio

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


 

Tõ voltando...

Eu andava "unblogged"...meio de saco cheio, meio sem tempo. Só hoje é que me dei conta de quanto tempo fiquei sem blogar. Tive vontade de escrever, mas quando me dava vontade, não podia; quando podia, estava sem vontade. Mas estou voltando. Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto, eu tô voltando...Põe meia dúzia de Brahma pra gelar, muda a roupa de cama, eu tô voltando...(1) Simone me lembra Ivan Lins. Grande Ivan Lins! Há tempos não ouvia nada dele, e essa semana, no rádio, ouvi "Daquilo que eu sei". Que letra maravilhosa! Não tapei os olhos, não fechei os ouvidos, cheirei, toquei, provei, ah, eu usei todos os sentidos. Só não lavei as mãos e é por isso que eu me sinto cada vez mais limpo...(2) Como é bom ouvir música brasileira e poder viajar nas palavras!

Meu pai completou 70 anos no dia 01/03. É impressionante como ele conserva a aparência de mais novo: nenhuma ruga, nenhum cabelo branco. Não fuma, não bebe, não fica parado, faz caminhada toda manhã e ainda leva o Zequinha pra passear todos os dias. A julgar pela aparência, poderíamos dizer que ele tem 45 anos mal vividos, ou 60 bem vividos. Nunca 70. Mas após o "Parabéns pra você" ele disse: "Quero que Deus me deixe com vocês mais uns 10 anos, não precisa mais do que isso". Fiquei chocado! Só 10 anos? O que é mesmo o Tempo, né? Um ano a mais é também um ano a menos...E quando eu tiver saído para fora do teu círculo, Tempo, Tempo, Tempo, Tempo, não serei nem terás sido, Tempo, Tempo, Tempo, Tempo...(3) 

Enfim...Tô voltando!

(1) Tô voltando - Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós; (2) Daquilo que eu sei - Ivan Lins e Vitor Martins; (3) Oração ao Tempo - Caetano Veloso

 

 

 

Viva a vida

Nada pode ser mais chato do que feriado de finados. Pior seria se fosse num final de semana! Entendo que são rituais cristãos, mas ir ao cemitério num dia específico para lembrar os nossos mortos é chato demais. Me recuso. Cemitério é bom de ser visitado quando você tem vontade: ficar andando entre os túmulos, lendo as lápides, os epitáfios, ouvindo aquele som da cidade que fica distante por causa da paz que existe nos cemitérios. Nada mórbido: é prazeroso, introspectivo, calmante, misterioso, agradável. Eu não gosto de cemitérios em dia de finados. As pessoas ficam olhando para a terra, como se vissem os seus mortos. Uma rezinha aqui, um chorinho ali e o vento que insiste em apagar as velas. Depois, vão-se embora e aguardam até o ano seguinte. Eu não gosto. Prefiro me lembrar de meus mortos em casa mesmo, quase sempre: minhas avós e meus avôs. Sem deprê, só saudade. Mas cemitério, fora de dia de finados ou de velório de ente querido, é muito bom pra refletir.

Há um conto da Lygia Fagundes Telles que eu recomendo: Venha ver o pôr-do-sol, está no livro Antes do baile verde. Tétrico, mas belíssimo também. O cenário é um cemitério. Vale a pena conferir. E já que o tema é esse, vejam que belo poema de Vinícius de Moraes, extraído da Antologia Poética:

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

Lindo, não é?

 

c'est la vie

Nossa...há quanto tempo!!!Andava meio sem vontade de blogar. Na verdade, andei muito envolvido com uma série de outras atividades que acabaram me extenuando. Que linda essa palavra! Aliás, a língua portuguesa, essa "última flor do Lácio, inculta e bela", que é "ao mesmo tempo esplendor e sepultura", tem palavras que soam aos nossos ouvidos como música, daquelas boas mesmo. Inexorável, indizível, mãe, suave, felicidade e tantas outras absolutamente eufônicas. "Eufônica", para mim, é uma palavra feia, quase cacofônica...Mas "felicidade" em francês também é lindo: "bonheur". Ando com uma vontade imensa de aprender a falar francês. De 2006 não passará! É uma língua poética, sensual, sei lá. Ouço as músicas francesas e me lembro com muita saudade dos dias em que pude estar em Paris. Très chic! Ando apaixonado, e deve ser por isso que muitas palavras soam a mim como poemas, e como Paris é a cidade dos enamorados, não há como não sonhar em francês. Parole, parole, parole...Tant qu'l'amour inond'ra mes matins, tant que mon corps frémira sous tes mains, peu m'importe les problêmes, mon amour puisque tu m'aimes Ah, Piaf...Até cantando "La Marsellaise" era divina! Oui, oui, oui...L'amour c'est toujour l'amour.

Au revoir!

Quero

Ultimamente eu ando com um sem-vontade de blogar. Aliás, ando com um sem-vontade de um tanto de coisas e com um com-vontade de um outro tanto. Por exemplo, ando com vontade de escrever poemas. Já escrevi dois e tenho alguns motes para outros mais, mas quero que venham naturalmente. Não quero apressar o rio, porque ele deve correr livre. E todo setembro é assim, uma renovação em minha jornada, mas eu ando confuso, confuso, confuso...Um turbilhão chegou por aqui e bagunçou tudo e agora eu ando numa leseira...Os dias têm voado e eu não estou conseguindo prestar atenção no mundo. Quero ser apenas um espectador, a distância. Quero uma rede, na sombra, para ficar nela e poder dizer "estou conectado à rede". Quero minha baianidade, quero Caymmi, eu quero sossego. Ah...as coisas que eu quero são tão simples, e tão poucas, mas algumas são tão difíceis! 

Quero ver o sol atrás do muro
Quero um refúgio que seja seguro
Uma nuvem branca sem pó nem fumaça
Quero um mundo feito sem porta ou vidraça
Quero uma estrada que leve a verdade
Quero a floresta em lugar da cidade
Uma estrela pura de ar respirável
Quero um lago limpo de água potável
Quero voar de mãos dadas com você
Ganhar o espaço em bolhas de sabão
Escorregar pelas cachoeiras
Pintar o mundo de arco-íris
Quero rodar nas asas do girassol
Fazer cristais com gotas de orvalho
Cobrir de flores os campos de aço
Beijar de leve a face da lua.

                            (Thomas Roth)

 

Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro continua lindo, o Rio de Janeiro continua sendo o Rio de Janeiro, fevereiro e março...Como essa cidade é maravilhosa, cheia de encantos mil! Ainda que dê uma neura de vez em quando, quando o trânsito pára, quando o comércio fecha ou quando alguém vem em sua direção de um jeito "diferente", não há como não se apaixonar pelo Rio. As paisagens, as pessoas, o clima, a Babel que se observa em qualquer canto, tudo fascina. Se eu não morasse em São Paulo, acho que moraria no Rio. 

Estou num backpacker em Copacabana. Uma zona. Mas os funcionários são atenciosos, simpáticos e gentis. Há inúmeros painéis de avisos em todos os ambientes, mas nenhum em português. A língua oficial aqui é inglês. Um horror. Até o rapaz do bar, num surto, me perguntou "Where´re you from?" Tive um choque, porque não espera aquela pergunta em inglês, já que havia acabado de pedir um refrigerante. Ao notar meu espanto, ele completou: "Where are you from, from Brazil?" A emenda ficou pior que o soneto! Se bem que os únicos brasileiros aqui, nesses dias, somos eu, a Lurdes e a Maria Clara, e os funcionários, é claro.

Mas o Rio de Janeiro continua lindo!

Manhãs de setembro

Quando eu me aventurei a ser poeta, escrevi um poema chamado "As quatro estações". O ano era 1984 e o mês era setembro. Bem depois de Tchaikovsky, mas antes de Renato Russo e de Sandy e Júnior. Desde que me entendo por gente, sempre gostei de setembro, porque parece que um novo sopro de vida vem junto com a Primavera. Não sei explicar o que é, mas é como se eu fizesse aniversário duas vezes por ano: em julho e em setembro. Em julho envelheço e em setembro rejuvenesço. September morning still can make me feel this way...(1)
É setembro, lá vem a Primavera surgindo nos jardins, florescendo a Terra, perfumando a vida enfim... (2) É assim que minha "obra literária" inicia. 
Setembro também me faz lembrar minha infância. A Vanusa, de cabeça baixa, deprê, com aquele cabelo loiro caído sobre os olhos, cantando no programa do Chacrinha, ou do Bolinha, ou do Barros de Alencar, ou da Lolita Rodrigues. Aí, de repente, ela jogava as madeixas para trás e entoava um
 Eu quero sair, eu quero falar, eu quero ensinar o vizinho a cantar nas manhãs de setembro. (3) Ah, meu Deus...Comprei um cd da Vanusa por causa dessa música...Depois, veio o Beto Guedes e a turma que bebe "água de mina", como diz a Lúcia, cantando Quando entrar setembro, e a boa nova andar nos campos onde a gente plantou juntos outra vez.

Enfim, é setembro e não nos custa inventar uma nova canção que venha nos trazer sol de Primavera. (4) Viva!!!

(1) September Morning, de Neil Diamond; (2) As quatro estações, minha mesmo; (3) Manhãs de Setembro, de Vanusa e (4) Sol de Primavera, de Beto Guedes

 
Edsões ordinárias

Desculpem-me pela mudança sem prévio aviso, mas sou meio inquieto. Já mudei o modelo do blog uma vez e agora resolvi mudar o título. Ainda acho que "a vida tem sempre razão", mas "Edsões ordinárias" é mais original, ambíguo. Entendam como quiserem...Agora, quanto aos textos policromáticos (vixe...isso ficou bonito...), essa mania não vou perder. Vem de longe, longe, longe...ainda que seja meio cafona (essa é velha...). Enfim, continuem visitando, comentando, criticando, refletindo, rindo. Adoro os comentários!

E neste dia, então, vai dar na primeira Edsão: "cenas de sangue num bar da Avenida São João"

Não verás país como esse*

Uma vez li um adesivo num carro que dizia "desta vez, vote nas putas, porque nos filhos não adianta mais". Pois não é que chegou a hora? Estão todas lá em Brasília, agenciadas pela tal da Jeany Mary Corner, ou, em bom português, pela tal da Geni Maria da Esquina, que, segundo a Veja, "talvez seja a única personagem honesta da novela do mensalão". É mole? Bom, o Zé Simão diz que é mole, mas sobe, e a Mônica Bergamo disse que nas festas da Geni rolava muito viagra. Na putacracia brasileira, só desce mesmo o moral do povo brasileiro.O pior é que quem paga a conta do bordel somos nós. Isso é que é gozação!!! Joga pedra na Geni, joga bosta na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni! (1) 

A propósito de minhas fontes de informação, sei que Veja não é a oitava maravilha, mas seria toda a imprensa brasileira assim tão a serviço "das elites"? A Folha, o Estado, o UolNews, a Época, a BandNews, a Rede Globo, a Jovem Pan??? Pensar que por você eu fui traído, a minha dor faz sangrar o coração, justamente quando havia decidido, foi negada a minha cura, fui levado à loucura.(2)

Mas, chegou mais um fim-de-semana de uma semana de escândalos. Ainda hoje o Palocci é Ministro. Sábado que vem, quem sabe? Há um piquenique de políticos / Porque hoje é sábado / Há um grande acréscimo de sífilis / Porque hoje é sábado (3). E amanhã é domingo!

(1) Geni e o Zepelin, de Chico Buarque; (2) Loucura, de Joanna, Sarah Benchimol e Toni Bahia, imortalizada pelo magnífico Cauby Peixoto; (3) O dia da criação, de Vinícius de Morais

*Ignácio de Loiola Brandão

Salve, Jorge

Há muitos anos, assisti a um monólogo com o Diogo Vilela: Solidão, a Comédia. Ele interpretava várias personagens e umas delas teve uma fala que me marcou muito. Era algo mais ou menos assim: "Eu detestava quando via meu pai tomar sopa fazendo aquele barulho...depois de um tempo eu percebi que quando ele tomava sopa daquela maneira, era porque cada colherada era como se fosse a mais gostosa, a última, e isso lhe dava prazer." Eu detestava quando via meu pai tomando sopa. Depois dessa peça, nunca mais me incomodei. Dia desses, numa comunidade do orkut, vi um tópico que discutia a relação entre a data de nascimento de alguns cancerianos e o relacionamento conturbado desses cancerianos com seus pais. Um monte de membros achou que ali estava a explicação. Uma bobagem. Não me contive e afirmei que os problemas de relacionamentos entre pais e filhos são produtos da imaturidade própria dos jovens e também da diferença de valores de cada época. Pai é pai. A maturidade nos ensina a compreendê-los, a aceitá-los como são, desde que o jeito de ser não interfira na estrutura da família. Eu também tive um tempo em que discordava de meu pai, de meu avô. Hoje, embora discorde do jeito de meu pai, aceito-o tranquilamente e me sinto muito responsável por ele. Dos meus avôs, guardo somente boas lembranças e valores de família inquestionáveis e indestrutíveis. A maturidade nos ensina muito. O tempo é o senhor da razão. 

Jorge sentou praça na cavalaria e eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia. Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge, para que meus inimigos tenham mãos e não me toquem; para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem; para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam e nem mesmo o pensamento eles possam ter para me fazerem mal. Armas de fogo o meu corpo não alcancarão. Facas e espadas se quebrem sem o meu corpo tocar; cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar, pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge. Jorge é de Capadócia. (Jorge Ben)

É pau, é pedra, é o fim do caminho, é um resto de toco, é um pouco sozinho, é um caco de vidro, é a vida, é o sol, é a noite, é a morte, é o laço, é o anzol. (...) é o vento ventando, é o fim da ladeira, é a viga, é o vão, festa da cumeeira(...)

Pouca gente se dá conta de que Águas de Março trata, entre outros, da construção de uma casa. Parece que, nesta semana, o pedreiro acaba a obra aqui em casa. Não aguento mais...1 ano e meio no meio do caos, do pó, do entulho, do cimento. A casa não pára limpa e eu fico cansado só de ver minha mãe trabalhar. O Bóris parece um cachorro de PÓLUCIA e a minha conta-corrente...melhor nem falar! É o pedreiro, o dono do depósito, o serralheiro, o funileiro, o mecânico e outros credores, e ainda falta o marceneiro, o pintor...Uns têm um Delúbio e eu tive um Dilúvio, um ciclone extra-topical que me arrasou. Se pelo menos eu tivesse a chance de posar para uma revista...mas só me resta a G (riatra) e o máximo que eu conseguiria seriam uns trocados para comprar um Voltarem e umas aspirinas. Estou cansado, mas está valendo a pena. Tudo vale a pena, se a alma não é pequena. Deus ao mar o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu. É isso aí! 

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